Reajuste de aluguel em setembro: IGP-M acumula alta de 2,16%, mesmo com 3ª queda seguida em agosto
29/08/2026 - Locação de Imóveis
IGP-M recua em agosto, mas aluguéis podem subir 2,16%
O índice caiu pelo terceiro mês seguido, mas o acumulado em 12 meses ainda soma alta de 2,16% — e é esse número que vai valer para quem tem contrato de aluguel com aniversário em setembro. Veja o que pesa nessa conta e como se preparar para a renovação.
IGP-M é a sigla do Índice Geral de Preços – Mercado, calculado mensalmente pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e usado como referência de reajuste na maioria dos contratos de locação do país. Em agosto de 2026, o índice caiu 0,22%. É a terceira queda mensal seguida — depois dos recuos de 0,50% em junho e de 1,16% em julho —, mas o ritmo de queda desacelerou bastante em relação ao mês anterior.
O que os números da FGV mostram
Mesmo com três meses seguidos no negativo, o IGP-M acumulado em 12 meses fechou agosto em alta de 2,16%. É esse percentual, e não a variação isolada de agosto, que serve de referência para o reajuste de contratos residenciais e comerciais com aniversário em setembro — já que o índice de agosto é o último divulgado antes da data de renovação.
O IGP-M é formado por três componentes, com pesos diferentes dentro do cálculo: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa 60% do índice; o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com peso de 30%; e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), responsável pelos 10% restantes.
| Componente | Peso | Agosto/26 | Julho/26 |
|---|---|---|---|
| IPA (produtor) | 60% | -0,34% | -1,74% |
| IPC (consumidor) | 30% | -0,41% | -0,01% |
| INCC (construção) | 10% | +0,85% | +0,62% |
Segundo André Braz, coordenador dos índices de preços da FGV IBRE, a virada nos preços agropecuários foi o principal fator por trás da desaceleração da queda: os produtos do setor, que haviam recuado 0,20% em julho, subiram 2,73% em agosto, compensando parte da queda dos preços industriais no atacado. Já o INCC, componente mais ligado à construção civil, voltou a acelerar — reflexo da alta de custos com materiais e mão de obra no setor imobiliário.
Quanto isso pesa no bolso de quem renova o contrato
Reajuste de R$ 43,20 em um aluguel de R$ 2.000
Aplicando o acumulado de 2,16% do IGP-M, um aluguel residencial de R$ 2.000 passa para R$ 2.043,20 a partir de setembro — um acréscimo de R$ 43,20 por mês, ou R$ 518,40 ao longo dos 12 meses seguintes.
Contrato de loja sobe R$ 172,80 no mês
Já um ponto comercial alugado por R$ 8.000 vai para R$ 8.172,80 com o mesmo reajuste — impacto que costuma pesar mais no planejamento de pequenos negócios com margem apertada.
Outros fatores que pesam na hora de renovar
Antes de aplicar o reajuste automaticamente, vale conferir alguns pontos do contrato:
- Qual índice está previsto no contrato — muitos contratos mais recentes já migraram do IGP-M para o IPCA, historicamente menos volátil;
- Se existe cláusula de negociação direta entre as partes na data de renovação, independentemente do índice;
- Se há teto ou piso contratual para o percentual de reajuste;
- Se o valor resultante ainda está compatível com o preço praticado hoje para imóveis semelhantes na mesma região.
Como isso se traduz em decisão prática
Para o proprietário, o acumulado de 2,16% é uma correção modesta diante da inflação dos últimos 12 meses — e vale menos como argumento para reajustes adicionais fora do índice. Para o inquilino, é um aumento relativamente baixo frente aos patamares vistos em anos anteriores, mas que ainda merece ser revisado com atenção, especialmente em contratos comerciais, onde qualquer diferença percentual tem peso maior no fluxo de caixa do negócio.
Em ambos os casos, o momento da renovação é a oportunidade certa para revisar se o índice do contrato ainda faz sentido e se as condições gerais — valor, prazo, garantias — continuam adequadas para as duas partes.
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Fale com a MultiPrime ImóveisFontes: FGV IBRE, Brasil 247, BPMoney





